"A noite veio com um grande descontentamento. Uma saudade. Um querer grande. Cães latindo impacientes na rua. Uma vontade de descuidar o corpo. Deixar brotar uma barba absurda./Pausa/
Aula de Filosofia segue. Inicia. Mas só enxergo o exagero pulsante de tudo isso. Com minha letra e pensamentos em caos. Meio cigarro e os animos se acalmam e um olhar de mulher impulsiona qualquer coisa aqui dentro. Um instindo canalha que me move rumo à dominação e ao deleite dos delírios dessa ou de outra mulher. Suspiros arrancados entre o suor dos corpos unidos e se movendo como que remando contra uma corrente imaginária, E nisso nos beijamos entre a saliva e o suor, deixando os corpos saciados e a mente em êxtase de compreensão, de 'somos-deuses-caidos'. O problema, a merda de tudo isso é o que fazer nas outras 23 horas, 59 minutos, 50 segundos do resto do dia, quando as flores voltam ao normal e o mundo retoma a lógica do absurdo. Fumo um cigarro que me baixa a pressão. Pensamento lento e respiração de moribundo. Quisera eu um bom copo de algum destilado amargo que me deixasse ainda mais fora de mim e dentro do mundo. Estar em si tem sido árduo em dias assim, perdidos entre a fumaça de cigarros e o amargo de destilados. Não, Professor, não está ajudando. Continuo com a vida não resolvida. E a melhor pergunta do dia me foi feita pela garçonte: 'O senhor quer o cardápio ou já escolheu?' Não, querida, ainda não escolhi. Ainda não decidi. Se o tivesse feito provavelmete não estaria aqui. Vim pelo caminho das dúvidas. Estou na espera das respostas. Hoje me deram o título de acadêmico. Grandes Merdas! Isso não diz mais sobre mim do que meu nome em alguma folha solta. E há uma revolta íntima por querer elaborar melhor meus pensamentos. Por que escrevo? Mais valem dois cigarros baratos. Mãos cansadas e tudo que espero para mim e para esse texto é um ponto final. Pronto."
Mr. Ink em 05.06.12
Diários Diluídos
Diários diluidos de dias desiludidos.
terça-feira, 24 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Dos Dias Diluidos
| Um imperativo para começar. |
Eu não sabia bem como começar isso tudo. Talvez devesse dizer que pode ser que tudo nem seja tanta coisa assim, já que começo sem pretenções quaisquer e já que isso começou de um trocadilho sobre um domingo quase perdido.
"Domingo, dia dos diários diluidos e da doce dor dos desiludidos."Estou quase na quarta-feira e agora as palavras vêm se sedimentar, se deitar aqui, embora eu queira me deitar em minha cama. Os dias são todos corridos e por isso os diários diluídos. Perdoe se a reforma ortográfica sequestou os acentos do título (nos ditongos), mas para mim esses acentos são acenos de despedida. Daí os dias Desiludidos, daí essa nota insegura de tudo, como um vibrato incerto de aluno iniciante.
Pensei em ir espalhando um pouco dos dias aqui para aliviar um pouco deles em mim, em meu pensamento cansado.
Devo dizer que soo (e sou) repetitivo, cíclico. Um dia pode ser que eu explique isso tudo. Pode ser que eu entenda. Gosto do som de algumas palavras, de outras tenho medo, mas é tudo assim mesmo. Deixa estar que a gente vai desenhando o dia e a filosofia.
O que há agora é sono, como sempre há. Anda difícil escrever, mas não me importa agora.
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